sexta-feira, 11 de setembro de 2015

World's Best News Day - 11 de setembro de 2015 também na Madeira










Em Portugal foram distribuídos gratuitamente 20.000 jornais, por 250 voluntários, de várias idades. O conteúdo dos jornais, traduzido para português, foi igual a nível europeu, excetuando o editorial, que foi adaptado à realidade de cada um dos países participantes. 

É a forma a conseguir-se uma maior abrangência territorial e chegar a vários públicos. Todos os voluntários (incluindo os da Madeira,  e  a nossa modesta participação, em representação da Escola Básica e Secundária Padre Manuel Álvares- Ribeira Brava- Madeira) coordenados pelo 

Centro de Informação Europe Direct Madeira

  a nível regional e pelo Instituto Camões  a nível nacional, estiveram  identificados com t-shirts da iniciativa. 

O objetivo de criar um momento de comunicação, já realizado há quatro anos na Dinamarca, foi o de passar uma mensagem forte e positiva do trabalho desenvolvido na área da Cooperação para o Desenvolvimento pela União Europeia.

A iniciativa é uma parceria da Comissão Europeia e da World Best News mas, em Portugal, foi dinamizada pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, enquanto entidade coordenadora do AED em Portugal, em conjunto com vários parceiros, como a Câmara Municipal de Lisboa.
Os jornais foram distribuídos em Aveiro, Barcelos, Elvas,  Faro, Leiria, Lisboa, Mértola,Funchal (ver imagens que acompanham esta notícia),  Ponte de Lima e Porto.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

MIGRANTES USAM OS TELEMÓVEIS COMO BÚSSOLA E BÓIA DE SALVAÇÃO (Fonte: Diário de Notícias, 2015/9/7)


Migrantes usam os telemóveis como bússola e bóia de salvação


por Abel Coelho de Morais, Diário de Notícias, 2015/9/7
Acesso a mapas na Internet e ao GPS tornou-se fundamental nas viagens a caminho da Europa. Lech Walesa apela a que se ajude os refugiados. Decisão de Merkel em recebê-los gera tensão com CSU da Baviera.


"Nunca teria conseguido chegar ao meu destino sem um smartphone", confessava recentemente um migrante sírio, Osama Aljasem, revelando até que ponto um telemóvel com acesso à Internet se tornou vital na longa e perigosa viagem entre o seu país de origem e o espaço europeu. 

E quer em Budapeste, quer em Munique, Viena ou na Grécia são recorrentes as imagens de migrantes concentrados com os seus telemóveis e fichas juntos de pontos de carregamento.

Os smartphones oferecem o acesso ao GPS e a mapas que lhes permitem saber onde estão e como orientar-se em lugares onde nada conhecem. 

"Quando cheguei a Itália, não conhecia nada nem ninguém. Graças ao Google Maps encontrei um supermercado para comprar comida perto do sítio onde estava", contava na passada semana Ahmed Salem à FranceInfo. 

Uma realidade que o sírio Osama Aljasem confirmava ao The New York Times: "Quando chego a um país, compro logo um cartão SIM, ativo a Internet e descarrego um mapa para conseguir localizar-me". 

Um refugiado afegão em Paris, citado pela FranceInfo, destaca ainda dois outros aspetos relevantes do telemóvel. "Fazíamos chamadas para saber onde estávamos e, em certos casos, qual o melhor caminho a seguir". 

A reportagem do título francês conta que, à falta de fluência nesta língua, o refugiado afegão recorria com frequência ao Google Translate para se fazer compreender.

Ciente da importância do telemóvel, o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) tem estado a distribuir cartões para os aparelhos e lanternas solares que podem ser empregues para os carregar. 

Os telemóveis permitem também aos migrantes manter contactos com as agências, fornecendo e recebendo informações relevantes. 

A reportagem do The New York Times descrevia ainda um outro aspeto importante: é que o acesso a mapas online e ao GPS permite a muitos migrantes evitarem o recurso às redes de traficantes.

O telemóvel tornou-se assim uma bússola e bóia de salvação para os migrantes que continuavam ontem a chegar à Alemanha, Áustria e Grécia, onde as autoridades reforçaram as medidas de segurança nas ilhas de Kos e Lesbos. 

É a estas ilhas que chega a maior parte dos migrantes provenientes da Síria, mas também de países como o Afeganistão e a Eritreia. 

A decisão seguiu-se a uma noite em que houve confrontos entre sírios e afegãos em Lesbos e em que um grupo de migrantes, que dormia num parque da ilha, foi atacado com Cocktails Molotov, tendo um deles ficado ligeiramente ferido.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

INTERNACIONAL - A morte que envergonha a Europa (fonte: Expresso)

03.09.2015 às 11h07, in EXPRESSO: 

"A morte que envergonha a Europa


A fotografia de Aylan Kurdi, o menino sírio de três anos cujo corpo deu à costa na praia turca de Bodrum, é já o mais triste dos símbolos da crise que envolve os refugiados. Está impressa nos jornais de todo o mundo: “Uma criança é o mundo inteiro”.

Há imagens assim, com a capacidade indiscutível de nos exporem diante dos olhos a realidade na sua versão mais crua, mesmo quando pensamos já a conhecer. A fotografia de Aylan Kurdi, a criança síria de três anos, cujo cadáver deu à costa numa praia turca, está esta quinta-feira nas capas dos jornais, legendada em quase todas as línguas, e ao vê-la assim, ampliada e reproduzida em várias manchetes, o mundo curva-se perante a tragédia. E questiona a Europa.

Desde o espanhol “El País”, lapidar na sua observação - “Uma criança é o mundo inteiro” - ao título “Somebody's child” (A criança de alguém), escolhido pelo “The Independent”, o corpo de Aylan está também no “The Guardian”, no “The Times”, até no tabloide “The Sun”, nas televisões, nas redes sociais...

A própria escolha da fotografia abriu discussões nas redações. Há quem tenha escolhido publicar a imagem onde se vê apenas o corpo da criança, deitado de barriga para baixo na areia, e há quem tenha usado a foto captada no momento em que o bebé é recolhido pela polícia
Online, o “The Independent“ justifica a opção pela primeira. "Nós decidimos publicar, porque o uso de palavras frequentemente ‘desencarnadas’ para falar sobre a crise dos migrantes, torna muito fácil esquecer a realidade das situações desesperadas que vvem os refugiados".
Entre nós, o editorial do “Público” é ainda mais direto: “Às vezes, é nosso dever publicar imagens impressionantes”.
As notícias desta manhã contam também um pouco mais sobre o menino morto no naufrágio, onde também um irmão, de cinco anos, e a mãe perderam a vida.
A família (só pai sobreviveu) viajava numa de duas embarcações que saíram de Bodrum, na Turquia, com destino à ilha grega de Kos. Mas ambos os barcos naufragaram pouco tempo depois, tendo sido resgatadas 12 pessoas, entre as quais cinco crianças, de acordo com as autoridades.
Abdullah Kurdi, a mulher Rihan, e os filhos, Aylan e Galip, partiram de Kobane, no norte da Síria, para fugir à violência vivida desde o início do ano, depois da chegada dos combatentes do autodenominado Estado Islâmico (Daesh) à cidade.
Segundo o “National Post”, a família esperava atravessar a Europa e fixar-se eventualmente no Canadá, onde vive uma irmã de Abdullah. Ouvida pelo jornal, Teema afirmou que o irmão a contactou, dizendo apenas que a mulher e os filhos tinham morrido. Pretende agora voltar a Kobane para os sepultar, disse ainda".

terça-feira, 15 de abril de 2014

Os dois primeiros pilares da união bancária europeia estão a postos, mas ainda falta o terceiro.


Crises bancárias serão geridas de forma diferente no futuro /KAI PFAFFENBACH REUTERS


A União Europeia (UE) completou esta terça-feira o maior projecto de integração desde a criação do euro, com a aprovação formal dos últimos passos de um novo processo que vai alterar profundamente a gestão de futuras crises bancárias de forma a evitar que voltem a rebentar com as finanças públicas dos respectivos países.
O processo ficou concluído com uma votação no Parlamento Europeu (PE) de um pacote legislativo que encerrou dois anos de intensas negociações com os governos da UE para a criação das duas primeiras etapas de uma nova união bancária europeia.
Mesmo se os críticos consideram as novas regras complexas e insuficientes, a verdade é que a nova união bancária vai operar uma verdadeira revolução na gestão do sector financeiro: os poderes de supervisão (vigilância) dos bancos e de decisão sobre a liquidação dos que estiverem em risco de falir, a par do financiamento dos respectivos custos, vão ser transferidos da responsabilidade nacional, como era o caso até agora, para o nível europeu, que centralizará todo o processo.

Isto significa que o que aconteceu na crise financeira de 2008/2009, em que cada país da UE socorreu de forma isolada os seus bancos falidos, com sérios custos para os seus cidadãos em termos de políticas de austeridade para reduzir as dívidas assumidas, vai passar a ser feito de forma colectiva e com base nas mesmas regras.
“A união bancária não é uma bala de prata que vai resolver tudo (...), mas esperamos que crie um verdadeiro mercado que permita que o crédito às pequenas e médias empresas seja concedido de forma mais fácil e a taxas mais competitivas do que tem sido desde a crise”, afirmou Elisa Ferreira, eurodeputada socialista portuguesa, que pilotou as negociações com os governos em nome do PE.
Isto porque, frisou, “nos Estados que são vistos como mais frágeis os seus bancos absorvem a fragilidade do país, porque se pensa que têm menor probabilidade de serem salvos, porque o seu país não é tão forte como outros. Por essa razão, estes bancos têm maior dificuldade em obter eles próprios crédito e conceder crédito suficiente ou em condições aceitáveis para a economia”, justificou.
O primeiro passo da união bancária foi dado há um ano com a decisão dos governos de transferir para o Banco Central Europeu (BCE) a responsabilidade pela supervisão dos principais bancos, que passarão a ser vigiados com base em regras comuns. Este passo permitirá acabar com a tendência habitual dos supervisores nacionais de esconder os “podres” dos “seus” bancos, o que continua a pesar sobre a credibilidade do sistema bancário europeu.
Se e quando o BCE decretar que um banco está em riso de falir, entra em cena o segundo pilar da união bancária – o processo de “resolução” (liquidação ou reestruturação da instituição) – que foi formalmente aprovado esta terça-feira pelo PE depois de longos meses de negociações com os governos da UE.
A partir do sinal de alarme do BCE, um “conselho de resolução” formado pelos reguladores nacionais dos países onde o banco a liquidar opera, mais cinco personalidades permanentes, terá a responsabilidade de aprovar um plano para a resolução da instituição.
Os custos deste processo serão antes de mais assumidos pelos accionistas e outros credores do banco em causa e, em última análise, pelos depositantes com mais de 100 mil euros. A contribuição destas entidades deverá ser equivalente a pelo menos 8% do valor de todas as actividades do banco.
A partir deste montante, a “resolução” poderá ser financiada a partir de um fundo alimentado pelos próprios bancos até um montante a rondar os 55 mil milhões de euros.
Este fundo, que inicialmente deveria demorar dez anos a ser constituído e que só se tornaria plenamente “europeu” no final do período, demorará afinal apenas oito anos a construir e terá 70% das suas dotações financeiras “mutualizadas” ao fim de três. Isso significa que cada país deixará de ficar limitado aos fundos do seu compartimento nacional e poderá ir buscar ao “bolo” comum os meios necessários.
O PE também conseguiu simplificar o processo de decisão de liquidação dos bancos e, sobretudo, limitar o poder de intervenção política dos governos. As decisões do conselho de supervisão serão de cariz sobretudo técnico e poderão incluir o encerramento de um banco mesmo contra a vontade do país onde opera, podendo os governos apenas intervir em casos excecionais.
PÚBLICO, 2014/4/15

sábado, 29 de março de 2014

Viagem à Europa - Março de 2014 - Fonte: "Público", 2014/3/29

O comboio para Nice começa a andar devagar, quase fantasmagórico, pouco depois da partida. Até que pára. Da janela vê-se uma sucata: duas montanhas de carros espatifados, vários cubos de metal, súmula compacta  do que foram antes esses carros.
Uma inglesa percebe que vai perder o avião, duas russas em passeio pela Côte d’Azur arrependem-se de não ter apanhado o comboio seguinte. Um atraso no primeiro comboio implica ligações perdidas e uma chegada muito mais tardia; é o pesadelo de quem viaja.

Não é algo raro nesta linha, diz Sarah Taghouti, 21 anos, estudante de comunicação multimédia, que todos os dias chega à estação para apanhar o comboio das 6h31, faz duas horas de Marselha para St. Raphael, onde é o curso, e ao fim do dia, apanha o comboio das 20h, mais duas horas de volta de St. Raphael para Marselha.
Já só faltam uns meses para acabar o curso e fazer um estágio. O mercado de trabalho em Marselha não está brilhante, e ela queria mesmo era ser realizadora. “Mas isso é impossível”, diz. No entanto, está optimista; planeia uma start up com amigos. "Acho que temos boas hipóteses."
A meio da conversa, finalmente chega a um comboio de substituição, mas continuamos a falar e da economia passamos para a multiculturalidade de Marselha. Sarah comenta: “Em França são um pouco racistas. Às vezes sinto isso. Eu sou francesa, nasci cá, apenas tenho mãe tunisina. O que é que isso tem? Não percebo o ponto de vista destas pessoas.”
Uma funcionária dos comboios distribui água, sumo e bolachas, tudo numa caixa arrumada, “lamentamos o atraso”.
Pergunto a Sarah sobre o tema quente do momento, as eleições: ela não se interessa. “Votei numas eleições, as presidenciais, primeiro Mélenchon e depois Hollande, mas fiquei muito desiludida.” Mesmo que se fale da Frente Nacional: “É triste que haja pessoas a votar neles.”
Durante cerca de um mês vamos andar em viagem pela Europa. Seguem-se Milão, Atenas, Sófia, Budapeste, Berlim, Amesterdão, Calais, Londres e Bruxelas. Se tiver sugestões, contactenos PÚBLICO):viagemeuropa@publico.pt.