quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Novo Estatuto do Aluno


Novo Estatuto do Aluno publicado em Diário da República


O novo Estatuto do Aluno, que entra agora em vigor,  prevê multas para os pais dos estudantes incumpridores, proíbe captação de imagens ou sons nas aulas e permite a transferência daqueles que agridam colegas ou professores. 

 Publicado hoje em Diário da República, o diploma reuniu a discordância da Oposição, no Parlamento, tendo contado somente com votos favoráveis da maioria PSD/CDS.
Os representantes dos pais também apresentaram reservas, considerando que a medida que prevê multar os encarregados de educação dos alunos faltosos é "um presente envenenado" para as escolas, por se tratar de matéria para os tribunais de menores.

Os pais dos alunos faltosos passam a ser responsabilizados pelos comportamentos dos filhos e podem ser punidos com coimas que podem ir dos 13 aos 79 euros, tendo por base os valores em vigor.

O Estatuto refere que a falta de cumprimento "consciente e reiterado" por parte dos pais e encarregados de educação de alunos menores a um conjunto de deveres, "aliada à recusa, não comparência ou ineficácia das ações de capacitação parental determinadas constitui contraordenação".

Entre as obrigações listadas estão a matrícula, frequência, assiduidade e pontualidade dos alunos, a comparência na escola sempre que os filhos atinjam metade do limite de faltas injustificadas ou em caso de audição obrigatória devido a procedimento disciplinar, mas também a realização pelos estudantes das medidas de recuperação definidas pela escola.

Quando aqueles deveres não são cumpridos, a escola deve comunicar à comissão de proteção de crianças e jovens ou ao Ministério Público, mas também avançar para contraordenações "punidas com coimas de valor igual ao máximo estabelecido para os alunos do escalão B do ano ou ciclo de escolaridade frequentado pelo educando" para aquisição de manuais escolares.

Os deveres do aluno incluem estudar, respeitar a autoridade e instruções dos professores e pessoal não docente, tratar com respeito e correção qualquer membro da comunidade educativa ou respeitar a integridade física e psicológica de todos.

Na lista das obrigações consta não possuir ou consumir substâncias aditivas, como drogas, tabaco ou bebidas alcoólicas, não utilizar equipamentos tecnológicos, como telemóveis, nos locais onde decorram aulas, e não captar sons ou imagens sem autorização dos professores.

"Não difundir, na escola ou fora, nomeadamente via Internet, sons ou imagens captados nos momentos letivos e não letivos, sem autorização do diretor da escola", pode igualmente ler-se no diploma.

Entre as medidas disciplinares corretivas previstas no Estatuto estão a advertência, ordem de saída de aula, realização de tarefas e atividades de integração na escola ou na comunidade, condicionamento de acesso a alguns espaços ou mudança de turma.

Um aluno que agrida física ou moralmente um colega ou um professor pode ser transferido para outra turma a pedido dos agredidos.

As medidas disciplinares sancionatórias são a repreensão registada, suspensão até 12 dias, transferência de escola ou expulsão.

"A lei protege a autoridade dos professores" garante o diploma e os crimes cometidos contra a sua pessoa ou património, no exercício da profissão, levam a penas agravadas em um terço nos seus limites mínimo e máximo.


Consulte aqui o novo Estatuto do Aluno

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Alimentos básicos com preços altos na próxima década


Alimentos básicos com preços altos na próxima década

por Lusa, publicado por Ana Meireles, Diário de Notícias, 2012/8/28

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), José Graziano da Silva, avisou que os preços agrícolas vão continuar altos na próxima década e recomendou a criação de reservas nacionais de alimentos básicos. 

"Para garantir a segurança alimentar e enfrentar o aumento dos preços, cada país deveria constituir reservas que cubram as suas necessidades entre uma semana a um mês", afirmou o diretor-geral da FAO numa entrevista ao jornal Le Monde publicada hoje.

Apesar do contexto difícil, Graziano da Silva considerou que a situação atual é "totalmente diferente" do que aconteceu em 2007-08, quando surgiram conflitos provocados pela fome em vários países.

Entre os fatores essenciais para a estabilidade, o diretor da organização apontou a estabilidade do arroz e a importância dos 'stocks'.

"Dois terços das pessoas que a FAO considera encontrarem-se em situação de insegurança alimentar vivem na Ásia e dependem do arroz para a sua alimentação", precisou.

Perante os elevados preços que atingiram produtos como o trigo e o milho, Graziano da Silva pediu "mais flexibilidade" e que deixe de se utilizar o milho e as oleaginosas para produzir biocombustíveis.

Questionado sobre se devem acabar os incentivos aos biocombustíveis, considerou que não por que farão falta no futuro, quando se desenvolverem os "de segunda e terceira geração", produtos que não usam cereais e não competem com os cultivos destinados à alimentação.

Elogiou ainda a iniciativa sul-coreana de criar um imposto para as transações de futuros e de produtos derivados a fim de lutar contra a especulação de curto prazo, com venda de contratos que foram comprados no mesmo dia.

"Esse é o tipo de especulação que devemos evitar em períodos como o atual. O objetivo não é intervir nos mercados, mas impor uma certa disciplina aos comportamentos especulativos", justificou.

Assinalou também que a coordenação internacional "melhorou sensivelmente", sobretudo graças ao Sistema de Informação sobre os Mercados Agrícolas (SIMA) criado pelo G20, sob presidência francesa, que "deve permitir evitar os movimentos de pânico e as decisões unilaterais".



terça-feira, 21 de agosto de 2012

Parlamento dos Jovens 2013



O programa Parlamento dos Jovens é organizado pela AR, em colaboração com outras entidades, com o objetivo de promover a educação para a cidadania e o interesse dos jovens pelo debate de temas de atualidade. Culmina com a realização de duas Sessões Nacionais na AR, preparadas ao longo do ano letivo, com participação de Deputados, designadamente da Comissão de Educação e Ciência, órgão parlamentar responsável pela orientação do programa. Todas as Escolas do 2º e 3º ciclos do ensino básico e do secundário são convidadas a participar.

Anunciam-se, desde já, os temas  para as Sessões do Parlamento dos Jovens que terão lugar em 2013: Parlamento dos Jovens, Sessão do Secundário: "Os jovens e o emprego: que futuro?"


Parlamento dos Jovens, Sessão do Básico (2.º e 3.º ciclos): "Ultrapassar a crise"


Os regulamentos e o calendário do programa, bem como a indicação de algumas pistas para abordagem dos temas, vão estar  disponíveis  na internet,  a partir  do dia 3 de setembro de 2012,  acedendo  a "espaço jovem" no portal  da Assembleia da República


A inscrição das escolas deverá ser feita a partir de 27 de agosto e até ao dia 19 de outubro  de  2012,   através   do  preenchimento  on-line  de  um  formulário   que  estará disponível na data indicada.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Exames feitos, olhos postos na faculdade, por Sara R. Oliveira | 2012-08-01




Exames feitos, olhos postos na faculdade
Sara R. Oliveira | 2012-08-01
Descrição: http://www.educare.pt/educare/images/transparent.gif
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Resultados da segunda fase dos exames foram hoje conhecidos. Português e Matemática têm médias negativas. Agora é hora de escolher o curso e a universidade. O acesso ao Ensino Superior é tratado online e a papelada tem de ser entregue até ao dia 10 deste mês. 

 Descrição: http://www.educare.pt/educare/images/transparent.gifPrimeira fase terminada, notas cá fora. Médias que sobem, médias que descem. Segunda fase à vista, mais testes para concluir disciplinas ou tentar subir notas. Esta quarta-feira, os resultados da segunda, e última, etapa dos exames nacionais foram afixados nas escolas. Agora é tempo de fazer contas à vida para tentar entrar no Ensino Superior. Os alunos que terminaram o Secundário podem escolher seis licenciaturas por ordem de preferência. O processo é tratado via internet e a candidatura tem de estar fechada até ao dia 10 deste mês. O preenchimento das vagas dos cursos das universidades é divulgado a 10 de setembro. Depois há uma segunda e ainda uma terceira fase para tentar entrar na faculdade. Este é um momento importante no percurso de quem tem de escolher no seu futuro.

No início do 12.º ano, Rui Almeida, de 18 anos, decidiu que queria seguir Ciências Biomédicas. A mãe deu-lhe imensa força nessa opção. "Descobri o curso que achei bastante interessante", recorda. Para trás ficou Biologia, que andava debaixo de olho desde o 10.º ano. Rui é bom aluno e inscreveu-se na segunda fase dos exames para tentar subir notas. "Desci a Biologia e subi a Matemática", revela depois de ter consultado a pauta. Ficou com 18 a Biologia e 15 a Matemática na segunda fase. Na primeira, tirou 16 a Português e 15 a Físico-Química. Ficou com 16,4 de média de acesso à universidade.

Ciências Biomédicas na Universidade de Aveiro é a primeira opção. Segue-se o mesmo curso na Universidade da Beira Interior, na Covilhã, e depois Biologia no Porto e em Aveiro. Rui Almeida acredita que entrará, se não for na primeira, na segunda escolha. E a mudança de Biologia para Ciências Biomédicas prende-se também com as saídas profissionais. Está expectante para saber como é a vida universitária, ansioso por entrar num percurso que poderá ser decisivo. "Tenho bastante curiosidade para saber como é aquilo lá dentro", confessa.

Hélder Trindade, de 18 anos, tem tudo resolvido, tudo decidido. Economia está no topo da sua candidatura, primeiro na Universidade do Porto, depois na de Aveiro. Segue-se Gestão. Arrumou os exames na primeira fase e ficou com 12 a Economia, 13 a Matemática e 12 a Português. Tem média de 14,6 para entrar na universidade e quer acreditar que vai entrar. E se isso não acontecer? "É uma boa questão... tentarei subir notas, batalhar mais um bocado", responde.

Hugo Pereira, 18 anos, colocou Gestão em primeiro e segundo lugares e depois Economia. "Isto tem de correr bem", desabafa. Ficou com 14 a Economia; como no ano passado, não conseguiu subir a nota na segunda fase dos exames. Na hora do teste percebeu que não deveria dar para subir a fasquia. "Nessa altura, pensei que devia ter estudado mais no ano passado", confessa. Se a média não for suficiente, Hugo vai trabalhar durante um ano antes de voltar a tentar entrar na faculdade.

As médias totais dos exames nacionais de Português e Matemática da segunda fase são negativas. Da primeira para a segunda fase, a média de Português do 12.º ano subiu de 9,5 para 9,9 valores. Matemática desceu de 8,7 para 8,3. Biologia e Geologia, Física e Química e Filosofia do Secundário também estão nos valores negativos. A média de Biologia e Geologia desceu de 9,3 para 7,5 valores, Físico-Química também desceu de 7,5 para 7,3 e Filosofia de 7,8 para 7,6.

A Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) considera os resultados da segunda fase "normais", até por haver menos alunos a realizarem o teste. A taxa de reprovação na segunda fase foi de 25%, menos um ponto percentual em relação ao ano passado. Segundo Miguel Abreu, presidente da SPM, citado pela Lusa, "as descidas não foram significativas". "Portanto, parecem-me resultados perfeitamente normais, tendo em conta a diferença do universo de alunos entre a primeira e a segunda fase", refere.

Segundo o responsável, estão a ser dados passos importantes na disciplina de Matemática, nomeadamente nas propostas das metas curriculares para o Ensino Básico. "Penso que é um documento que pode contribuir decisivamente para uma melhoria do ensino da Matemática ao nível do Ensino Básico nos próximos anos e isso traduzir-se-á mais à frente por uma melhoria no Ensino Secundário."

segunda-feira, 18 de junho de 2012

EXAMES NACIONAIS - 2012

  Artigos relacionados, fonte: "CM"- 2012/6/23

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Saiba como serão corrigidos os exames de Matemática


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1. Saiba como serão corrigidos os exames de Português

Mais de 88 mil alunos do 9.º ano e mais de 65 mil do 12.º ano prestaram hoje provas a Língua Portuguesa. Veja aqui os critérios de classificação que os professores deverão seguir durante a correção.

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2.GAVE: Exames 2012
www.gave.min-edu.pt/np3/451.html
Exames 2012. 18 de Jun de 2012. 1.ª FASE - 1.ª CHAMADA. Dia 18 de junho. Português Língua Não Materna - 63 | 93 | 739 - Prova - Critérios. Português ..
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3.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

EXAMES NACIONAIS -ENSINO SECUNDÁRIO -2012


 

Matrizes curriculares voltam a ter tempos de 45 minutos
05.06.2012 - 20:45 Por Clara Viana, PÚBLICO

O Ministério da Educação e Ciência converteu nesta terça-feira formalmente para blocos de 45 minutos os tempos mínimos que atribuíra às disciplinas do ensino básico e secundário e que provocaram confusão junto de professores e diretores.
s novas matrizes foram publicadas no site da Direção-Geral da Educação com a indicação que foram estas as “aprovadas em Conselho de Ministros no dia 31 de Maio”.

Em resposta a questões do PÚBLICO, o gabinete de imprensa do MEC refere que o que foi colocado agora no site da DGE é “a versão de referência das matrizes de forma a tornar a sua leitura mais clara”. “Estas versões foram colocadas hoje no site da DGE e só hoje foi introduzido o texto da aprovação em Conselho de Ministros (CM). Nas versões anteriores constava que aquelas eram as matrizes que aguardavam aprovação em CM.”,  acrescentou.

A “versão de referência” apresentada para o 2.º e 3.º ciclo e para o secundário vêm confirmar o que o ministro Nuno Crato garantiu na passada quinta-feira, no final do Conselho e Ministros: ”Se as aulas de 45 minutos forem mantidas tudo se passará como foi apresentado em Março”, quando foi apresentada a versão final da proposta de revisão da estrutura curricular, insistiu.

Em vez de calcular os tempos letivos em blocos de 45 e 90 minutos, como até agora, o ministério, que vai dar autonomia às escolas para fixarem os tempos das aulas, apresentou o total de minutos semanal para cada disciplina, suscitando de imediato dúvidas sobre alegados novos cortes nas cargas horárias de várias disciplinas.

Nas matrizes hoje publicadas referente aos tempos mínimos e total semanal por disciplina refere-se também que, em relação ao tempo a cumprir, poderão “ser feitos ajustes de compensação entre semanas”.

Na quinta-feira, Crato garantiu também que as direções regionais de educação irão reunir com diretores de todo o país para explicarem o novo modelo.

Exames Finais Nacionais e Provas de Equivalência

www.cic.pt/informacoes/legislacao.pdf

Formato do ficheiro: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápidaExames Finais Nacionais e Exames de Equivalência - NOVO à Frequência do Ensino Secundário. (Despacho nº 1942/2012, de 10 de fevereiro). - Os exames ...

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Medina Carreira. O problema de fundo não é o euro mas a desindustrialização

Por Margarida Bon de Sousa , publicado em 2 Jun 2012 - 03:10 |Jornal I
O problema das políticas sociais será explosivo antes de 2020. Se a crise persistir e o governo se limitar a cortar em vez de reformar, tudo pode acontecer em Portugal.


Medina Carreira não gosta de se deixar fotografar mas acedeu ao fim de muita insistência e com a promessa de que a sessão iria durar apenas alguns minutos. O ex-ministro das Finanças de Mário Soares admite que se exercesse hoje o mesmo cargo não faria muito diferente de Vítor Gaspar. Lembra-se que no seu tempo os portugueses também perderem poder de compra, mas como os aumentos eram significativos as pessoas não tinham a noção de que ganhavam menos por causa da inflação. O economista considera que o grande problema da Europa não é o euro mas a desindustrialização e o preço do petróleo. Duas realidades que também afectam os Estados Unidos.
Situa as origens da actual crise portuguesa há sete ou oito anos atrás. Pode ser mais explícito?

Nos últimos 20 anos a nossa economia registou uma taxa de crescimento médio anual de 1,8%. E entre 2005 e 2010 ela quedou-se nos 0,3%. A tendência geral das duas últimas décadas é decepcionante, mas nos cinco últimos a economia portuguesa afundou-se dramaticamente. Creio que a sua pergunta tem em vista afirmações minhas neste sentido. Com uma taxa de 1,8% e, pior, uma de 0,3%, o nosso nível de vida só pôde manter-se, ou mesmo melhorar, à custa de enormes e insuportáveis endividamentos do Estado, das famílias e das empresas. Foi portanto o recurso ao crédito, para conservar níveis de bem-estar sem correspondência na produção de riqueza, mas também para realizar obras públicas faraónicas, que desencadeou a situação de grande crise que vivemos. A fragilidade económica explica em boa parte o volume do endividamento nacional. E é nesta situação de pré-bancarrota que nos encontramos.

Pode explicar porque é que acha que vivemos de uma esmola periódica e ainda por cima a juros...

Em termos globais e simplificados, o endividamento externo bruto de Portugal teve uma expansão galopante que se expressa no salto de 342 mil milhões de euros em 2005 para 506 mil milhões em 2010. Qualquer coisa como 33 mil milhões de euros/ano, 90 milhões/dia ou quase 4 milhões/hora! Com uma economia rastejante, como referi, e um tal valor do endividamento externo, os credores perceberam depressa que não poderíamos pagar as nossas dívidas. Surgiu então a troika com a solução das esmolas periódicas, sob condição de bom comportamento e de sujeição a juros elevados. Apesar de tudo, esta foi a solução que evitou a cessação de pagamentos pelo Estado português em 2011.

Se fosse ministro das Finanças hoje, faria muito diferente de Vítor Gaspar?

No essencial não. A austeridade é inevitável e não é muita nem pouca, apenas aquela que os défices anuais acordados com a troika impõem. Com o acordo que subscrevemos, ninguém poderia agir de modo muito diferente quanto ao grau dessa austeridade: o dinheiro de que dispomos para gastar é apenas o que a troika assegura. Esta sujeição não dispensa o governo de uma explicação simples e entendível pela grande maioria. Na sua falta, a nossa sociedade interroga-se quanto ao porquê dos sacrifícios a que está a ser submetida. E é legítimo que o faça. Sofrer já é muito duro. Não se saber porque se sofre é de mais.

As metas de crescimento do governo adiam para as calendas gregas a criação de emprego. Há outro tipo de resposta? 

Não são as metas do governo. São as que resultam da situação de penúria e de desorganização a que fomos conduzidos. Não temos acesso ao financiamento externo, não dispomos de poupança que se veja e ninguém no seu perfeito juízo vem investir em Portugal. O melhor que se consegue é vender partes de capital em empresas monopolistas, ou quase, onde o lucro é seguro e muito alto. Sem investimentos novos e adequados não haverá crescimento suficiente nem criação de empregos. O que por aí se diz das políticas activas de emprego destina-se a anestesiar a sociedade, como há muitos anos se sabe. Será muito longo o tempo que teremos de esperar até que a economia cresça o suficiente para criar empregos em número satisfatório. Não imagino quando chegará esse tempo.

A austeridade é imprescindível? E é a solução para a crise?

É uma condição necessária mas não suficiente. Existe porque não há dinheiro para que o Estado provoque défices mais altos e gaste mais. E também porque sem ordem nas contas públicas, com dívidas brutais, com impostos selvagens e com juros demolidores, não se investirá em Portugal. Sem se investir na produção de bens exportáveis ou que evitem as importações, o que vamos dizendo destina-se apenas a ludibriar-nos uns aos outros.

O congelamento das reformas antecipadas resolve o problema de fundo da Segurança Social? Ou é preciso ir-se muito mais longe?

Creio que não passa de um expediente de tesouraria. A sustentabilidade tem muito mais que se diga e exige um trabalho sério, ainda não iniciado. Quer isto dizer que é indispensável uma reforma global do social e não apenas cortes de circunstância aqui e ali. Preocupante é que nenhum responsável político, que se saiba, tenha feito qualquer alusão a esta tarefa, essencial e urgente.

E a sucessiva utilização dos fundos de pensões para pagar despesa corrente e amortizar dívida pública, ao invés de a transferirem para a Caixa Geral de Aposentações ou a Segurança Social?
São apenas expedientes. É precisa uma reforma. Quanto a isso, e como já disse, deploro a passividade do governo. O problema das políticas sociais será, talvez antes de 2020, explosivo. Na verdade, só a preservação do Estado social – adaptado às novas realidades económicas, financeiras e demográficas – poderá evitar uma situação ainda mais dramática em Portugal.

Critica muito os políticos por só olharem para as folhas em vez de para a floresta. Quais são os verdadeiros problemas de Portugal?

Tenho para mim como certo que a origem da presente crise do Ocidente emerge da sua desindustrialização e da dependência energética, com custos crescentes. Foi isso que afundou as economias e foi esse afundamento que motivou os endividamentos já referidos, destinados a evitar uma quebra acentuada do padrão de vida ocidental. Entre nós, sentem-se também os efeitos da incompetência e da irresponsabilidade governativa vigente nos últimos anos. A fragilidade económica ocidental gerou os endividamentos e foram estes que originaram o subprime americano, tanto quanto a chamada crise das dívidas soberanas na Europa. A crise da zona euro surge na sequência desses factos. Sem se enfrentar esta realidade mais ampla, os esforços em curso na Europa do euro, mesmo que bem sucedidos, não evitarão a progressiva decadência do Ocidente. Neste emaranhado de circunstâncias, de que ainda não se fala em Portugal, as árvores são a austeridade, a falta de crescimento e o desemprego. Estão na orla da floresta e por isso são visíveis por todos. Mas a reviravolta do mundo, que é tudo o resto que a liberalização económica provocou, ultrapassa a Europa e o euro, e constitui a verdadeira floresta em que avançamos, desorientados.

Na sua opinião, este governo fez ou mediatizou as reformas?

Das muito urgentes e decisivas, creio que pouco. Talvez distracção minha! É altamente preocupante a lentidão na execução dessas reformas. E sem explicações públicas para este arrastamento de pés.

Concorda com o novo Código do Trabalho ou ainda estamos longe dos nossos mais directos concorrentes, que neste momento são os ex-países de Leste? 

Há muitos anos que não trabalho nessa área. Tenho por isso dificuldade em me pronunciar acerca da adequação das soluções a introduzir no Código do Trabalho. Nunca escutei uma palavra acerca do ponto de referência que foi escolhido, por isso tenho a convicção de que o método tenderá a falhar. Portugal precisa de atrair investimentos, para o que
se impõe escolher medidas competitivas como as adoptadas, nestas e noutras áreas, pelos países europeus que nos têm roubado os investimentos. De facto, se é essencial sermos competitivos em relação ao que produzimos, é indispensável que o sejamos também no que toca ao que se investe. Trata-se de uma consequência inexorável do funcionamento dos mercados abertos. Se o governo não está a proceder assim, comparativamente com o que se passa na Europa Central e do Leste, de pouco servirão as reformas que estão a ser estudadas. Repito: falamos de reformas sem as quais não teremos um crescimento razoável e continuado, susceptível de combater o desemprego.

Como vê a actual crise da Europa?

Já mencionei há pouco as causas situadas fora da Europa. Pela sua importância decisiva, volto a sublinhar que são, primeiro, a instalação das indústrias transformadoras nos países de mão-de--obra muito barata, em geral no Oriente; segundo, os custos crescentes do petróleo. Por isso ficaram connosco: o desemprego industrial, que não diminui; os empregos mal pagos nos serviços pouco qualificados; a obrigatoriedade de importar o que antes produzíamos e agora já não produzimos, provocando de- sequilíbrios, que não existiam, nas nossas balanças comerciais; a cada vez mais pesada factura do petróleo. São estas as causas essenciais do afundamento das nossas economias. Iludimos esta realidade com os “endividamentos” destinados a manter um nível de bem-estar que já não estava, nem está, ao alcance do que produzimos. As sociedades desta parte do mundo estão a ser enganadas,
todos os dias, por um número excessivo de irresponsáveis.

A actual crise é mais política ou mais económica?

É económica na sua génese e política pela incapacidade de correcto diagnóstico dos estados. E sem um diagnóstico acertado não haverá políticas adequadas.

E que papel tem a Alemanha neste contexto? Como vê a actuação da senhora Merkel? 

A Alemanha também sofre as consequências. Atenuadamente, porque as suas indústrias de exportação ainda não fugiram e porque se aproveita muito dos países vizinhos aos quais compra o que ali se produz muito mais barato. A Alemanha também beneficia muito da credibilidade da sua economia e da sua organização, pelo que se financia a taxas de juros impensáveis para os outros países. Além de tudo isso cuida com muito rigor da sua competitividade, com políticas salariais muito contidas. Porém, que ninguém se engane: a economia da Alemanha também rasteja, a um ritmo médio anual, entre 2000 e 2010, de 0,9%. Nós, portugueses, registámos 0,7%!

Ainda há diferenças entre uma governação de esquerda e de direita no actual contexto da zona euro?
Cada vez menos. Entenda-se que aos estados da actual zona euro foram sendo subtraídos poderes de intervenção económica de relevância decisiva, relativos às tarifas aduaneiras, à emissão de moeda e à definição da sua quantidade em circulação, à fixação das taxas de juros, às taxas de câmbios, à fixação autónoma dos défices orçamentais e ao controlo da circulação de capitais. Impõe-se ainda recordar os efeitos da internacionalização económica, que permite que as empresas se movam no âmbito global, ficando a soberania dos estados amarrada dentro dos seus territórios. Há também o afundamento das economias desde há 30 anos. A considerar, igualmente, o envelhecimento demográfico, só por si inviabilizador das políticas sociais tais como foram instituídas. Tudo isto condiciona decisivamente a prática de políticas económicas mais à esquerda ou menos à direita, como aliás se verifica em toda a Europa. A social-democracia está confinada ao pretenso monopólio da sensibilidade social, que não passa de um discurso vazio. O sindicalismo tornou-se ineficaz porque não vale a pena reivindicar, face a falidos, como estão hoje o patronato e também o Estado. Vivemos assim num mundo novo em que os modelos de há 30 anos já não cabem e só são defendidos por alguns distraídos que se recusam a abrir os olhos e a descortinar a realidade que os cerca.

Quando era ministro as pessoas não reivindicavam como hoje quando os salários desvalorizavam? É certo que não havia cortes como agora mas a inflação absorvia os aumentos provocando cortes muito maiores que os actuais...

Não havia uma noção rigorosa do fenómeno. A grande massa não tinha a noção da erosão provocada pela inflação. Ou seja, os salários cresciam por hipótese 15% com uma inflação de 25%, o aumento nominal criava a ilusão de que estavam a ganhar mais. Em seis meses, um ano, a crise passava. Hoje não há nada disso. A capacidade de adaptação às novas circunstâncias é muito mais difícil hoje. Os mercados são mundiais e as nossas leis são locais.

Há mais de duas décadas que se fala do declínio dos Estados Unidos e da emergência da China. Afinal quem está a ir ao fundo é a Europa. Porquê?

Nos últimos dez anos – de 2001 em diante – todas as economias desenvolvidas do Ocidente registaram desacelerações muito acentuadas, na zona euro como nos Estados Unidos. Compreende-se. Foi neste período que as deslocalizações e os investimentos industriais directos procuraram o Oriente, com saliência para a China. Foi nesse tempo também que os preços do petróleo mais subiram e mais altos se mantiveram. Estes factos explicam muito, a meu ver, as crises dos endividamentos, que nos trouxeram até à dificílima situação actual. Se se mantiverem estas tendências, a decadência do euro e da Europa será rápida e irreversível.

Não receia que o fim do Estado social, tal como ele é hoje percepcionado pelos europeus, e o desemprego abram caminho à extrema-direita na Europa?
Se nada for feito, ajustando o regime do Estado social às novas realidades financeiras, económicas e demográficas, são previsíveis rupturas sociais com consequências inimagináveis. É por pensar assim que há muito tempo insisto na necessidade, absoluta e urgente, da reforma do Estado social. De outro modo, poderemos ter o caos e a desordem no nosso país.

A democracia está em perigo?
Se a crise que atravessamos persistir e o governo se limitar à política dos cortes, em vez de à reforma do Estado social, tudo poderá acontecer.

Como vê a França depois da vitória de François Hollande?

Vive-se um tempo de fantasia, agora animado pelo novo presidente francês. Só por cegueira ou por estupidez se pode pensar que há quem não queira o crescimento e o emprego. Para tanto é porém essencial criar fontes de financiamento e definir o destino dos meios conseguidos, em termos de assegurar o êxito da sua aplicação. Quanto ao primeiro problema levanta-se a dificuldade da sua obtenção: a palavra alemã, que é fundamental, não vai ser favorável a esquemas de facilidade – como o dos eurobonds – porque o eleitorado não estará disposto a suportar os riscos e encargos, conhecida que é a irresponsabilidade na gestão dos dinheiros públicos, em alguns países. Quanto ao segundo problema, fala-se em aplicar o dinheiro em infra-estruturas, em energias verdes, em grandes projectos, etc... Nós, portugueses, sabemos muito bem o que é tudo isto, através da pré-bancarrota e da desgraçada situação para que nos arrastaram. Vítimas do excesso do endividamento e da má aplicação dos dinheiros, iremos repetir a solução que nos desgraçou?

A receita dos impostos indirectos agravou a tendência de queda em Abril e a Unidade Técnica de Apoio Orçamental já alertou para um buraco potencial de 800 milhões de euros na receita no final do ano (0,5 pontos do PIB). À medida que for percebendo que a meta do défice orçamental está em risco o governo deve lançar mais medidas ou procurar tolerância por parte da troika?

O governo tem afirmado que só se falharmos por razões que nos sejam estranhas se promoverá uma alteração das condições da troika. Aliás, como também o disse o ministro das Finanças alemão. Creio que o assunto está esclarecido.

O Conselho para as Finanças Públicas alertou para a continuação de erros clássicos no processo orçamental: dependência de medidas transitórias e de cortes cegos na despesa, cortes excessivos no investimento público e previsões futuras demasiado optimistas. O que lhe parece a qualidade do ajustamento orçamental português? Poderia ser outra dada a urgência da situação?
Desse Conselho espero apenas, e é muito, a apresentação de números rigorosos e completos.

Como vê as próximas eleições na Grécia?
A situação na Grécia é muito complexa. Não possuímos elementos que nos permitam discernir com muita segurança a respeito da evolução no país. Pessoalmente temo que esteja a caminhar para um regime autoritário. Se houver um colapso financeiro, não é de excluir que surjam problemas de rua. Quando é assim, os países temem em entregar-se a alguém que de volta tranquilidade.

E vê o país a sair do euro?
Alguma Europa, a que tem dinheiro, começa a cansar-se do problema grego. Já houve dois acordos de assistência e não se vê as necessidades gregas chegarem ao fim. Não se percebe o que está feito ou não está. Sabe-se que precisa de dinheiro todos os dias. Se a Grécia tem o direito de democraticamente escolher o seu próprio rumo, é preciso perceber também que os países ricos também podem democraticamente fazer as suas opções.

E a situação em Espanha?
A Europa rica vai fazer tudo para evitar problemas muito grandes na Espanha. Primeiro, porque não se encontra em estado de desagregação política e social como a Grécia. Segundo, porque a Espanha tem um peso na Europa em relação ao qual não deve haver descuidos. Qualquer dos países que se encontram em grave crise precisa de financiamentos, que naturalmente passam pelo sistema bancário. E esses financiamentos que muitos querem que se faça pelos eurobonds dificilmente avançarão. Por um lado, os países que se financiam a baixos juros, como a Alemanha. Pela via dos eurobonds, irão sofrer um agravamento das taxas de juro. Por outro lado porque se os países necessitados vierem a falhar os seus compromissos serão os países ricos a suportar as dívidas destes. Tudo isto leva a crer que os eleitorados europeus vejam com maus olhos essa figura dos eurobonds. Creio que só serão viáveis quando os países necessitados se submeterem a uma disciplina financeira que não deixe receio aos países do centro da Europa que vão ter de pagar ainda mais pelo não cumprimento das regras por alguns estados-membros.

Ou seja, primeiro a disciplina e depois os eurobonds. É essa a posição implícita da Alemanha...
Sim. Se põem dinheiro a circular sem se instalar uma rigorosa disciplina financeira na Europa, num prazo muito curto corre-se o risco de voltarmos ao ponto de partida.